CONTEXTO

COMO VEMOS O CAMPO E SUAS POTENCIALIDADES

Os programas de pós-graduação vêm recebendo crescente pressão, o que tende a homogeneizá-los. Mas eles são diferentes entre si. Temos ciência da variedade de interesses e condições de operação, bem como da diversidade de rumos e vocações dos programas, e dos desafios diferentes que estes enfrentam.

Essas pressões vêm de todos os lados: de órgãos reguladores, de fontes de financiamento, da necessidade de internacionalização e da adequação ao avanço da área. A forma como a regulação do campo é feita dificulta os programas a explorarem uma vocação específica, uma vez que são pressionados a se padronizarem e investirem recursos valiosos em processos por vezes inócuos. Reconhecemos essas pressões e propomos caminhos que, decididos coletivamente, podem ajudar cada programa a explorar sua vocação potencial e melhorar a qualidade da pós-graduação como um todo.

As restrições de recursos públicos e privados, intensificadas pelas incertezas do cenário pós-pandemia, pedem que consolidemos nosso papel estratégico, por meio do qual a ANPAD pode ter uma função aglutinadora. Assim, propomos que atuemos de forma unificada e colaborativa, gerando informação para os associados, contribuindo para o reconhecimento da relevância dos programas e representando e induzindo os avanços do campo.

INFORMAÇÕES QUE ILUSTRAM A DIVERSIDADE DA ÁREA

Nossos programas são distintos. Cada programa tem uma história, uma equipe própria de orientadores, uma vocação em potencial. Alguns passam por um momento de renovação, em que 50% a 70% dos orientadores concluíram seu doutorado após 2010 (em geral programas com 7 a 18 docentes). Alguns programas possuem baixa renovação de seus quadros. Nos programas profissionais e acadêmicos, a proporção de docentes que alcançaram bolsa produtividade é mostrada pelo diâmetro dos círculos.

A área já possui uma boa proporção de orientadores que se titularam (doutorado) no exterior. Porém a diferença de titulação no exterior que se observa também diz um pouco das dificuldades que alguns programas enfrentam em dar passos mais firmes em direção à internacionalização. Historicamente, a área tem um número maior de pesquisadores homens, mas essa proporção também varia entre os programas. Nos programas profissionais e acadêmicos, a proporção de docentes que alcançaram bolsa produtividade é mostrada pelo diâmetro dos círculos.

A distribuição geográfica dos orientadores pode dar boas indicações de locais de entrada para futuras conexões com a sociedade organizada, com setores específicos e com mercados de trabalho que mais se beneficiariam pela proximidade com os centros de formação de talentos já em operação. Em cada cidade indicada na figura, os docentes estão distribuídos nos seus respectivos programas, como nos 25 programas em operação na cidade de São Paulo.

Fonte: Os gráficos foram elaborados com dados da Capes 2018, para programas associados à ANPAD em Abril de 2020.